BIOGRAFIA  
 

1. A dádiva da dívida
Quando se tenta formar uma banda, o primeiro pensamento que vem à cabeça é alcançar o sucesso, certo? Certo! Mas no nosso caso, o objetivo fugiu um pouco desse caminho. Claro que pensávamos em atrair um grande público, sermos bem-sucedidos... Tínhamos nossos objetivos bem claros e coesos. Entraríamos nesse mundo como qualquer outra banda se não fosse por um detalhe: uma dívida.
Em junho de 2005, após alguns anos cantando em bares, shoppings, bordéis, manicômios e ambientes similares, resolvi tirar uma folga e fazer uma viagem ao Rio de Janeiro. Era a primeira vez que viajava sozinho e o destino escolhido não poderia ser melhor: a cidade do samba, da bossa-nova...onde tudo inspira música e poesia.
Pois bem, embarquei para a cidade maravilhosa e me hospedei no mais-que poético bairro de Santa Teresa. Era um exagero de beleza e magia. Em pouco tempo, os novos amigos se tornavam irmãos e os novos amores se faziam eternos. De lá, deslizava até a Lapa sobre o centenário bondinho; tomava uma cervejinha gelada sob os arcos históricos e me acabava de dançar numa gafieira deliciosa...era demais pra esse projeto de malandro.
Apesar de parecer tão perfeito, senti falta dos bons e velhos amigos da Bahia. Irmãos de farras, amores e confidências. Com certeza iriam se encantar com aquele paraíso! Já que não podia levar o Rio até eles, voltei a Salvador com a missão de carregá-los até a cidade-maravilhosa!
Chegando em Salvador comecei a minha busca, um por um. Já sabia quais eram os escolhidos para, comigo, desfrutar de todas as magias cariocas. Fui a faculdade e, logo de cara, encontrei o mineiro Gugu, amigo de infância com o qual eu já havia feito algumas viagens lendárias.
Me aproximei e, antes que ele perguntasse sobre como foi minha viagem, disparei: "Prepare as malas, vamos ao Rio! " Ele me olhou por um segundo, meio atônito, e respondeu com toda ternura: "Tá maluco?!?! Não tenho dinheiro nem pra cagar no banheiro da rodoviária!" Como já esperava essa reação, disparei o argumento que daria início à nossa saga: "Relaxe, tá tudo sob controle. Eu já tenho um plano: montaremos uma banda, compraremos as passagens num cartão de crédito e faremos shows pra pagar as parcelas!!". Perfeito! Antes que eu detalhasse toda minha argumentação ele já se dava por convencido: "...me diz uma coisa... faz frio lá essa época do ano?".
Não estava mais só naquela luta. Partimos ao encontro do Ronie, outro cangaceiro escolhido para essa [quase] odisséia musical. Encontramos a figura no pátio da faculdade com uma resma de panfletos de um texto cujo título era um tanto quanto sugestivo: "O restaurador de sonhos". Li e reli o texto e, no fim, lancei meu diagnostico: "Isso tem cura, meu caro!!” Explicamos o nosso plano e, após ouvir atento aos nosso devaneios, ele perguntou: "Quando embarcamos? Hoje?!!".
Ora! Até aqui, estava mais simples do que eu imaginava. Agora faltava o Guto, e esse era o mais fácil, já que só estava esperando a confirmação dos outros. Guto já era comparsa e parceiro de farras nas ruas e becos da Lapa carioca. Tínhamos um objetivo em mente, loucura suficiente para encarar essa aventura, um violão, um bongô e um cajon. Ah! Quase me esqueci. Como há louco para tudo nesse mundo, fomos acompanhados de um amigo veterano nas areias quentes das praias do Rio, o judeu Lucas Cohn. Assim sendo, ao dia 23 de junho de 2005, descemos aos pés do Corcovado.

2. Bacharéis em felicidade
23 de junho, véspera de São João. Era uma data que não parecia dizer muito para os cariocas, mas para nós, sedentos por uma farrinha, uma festinha que fosse, era mais que uma data especial. Era a oportunidade de fazer nossa primeira apresentação e saber realmente se aquele plano daria certo.
Estavamos em Santa Teresa, hospedados pela nossa anfitriã Maira e outras grandes amigas, Lorena e Natália. Fizemos todos os preparativos. Compramos bebidas, arrumamos o quintal da casa. Gugu comprou querosene, estopas e preparou pequenas tochas, que iluminavam o caminho das escadas por onde desciam os amigos, convidados e toda a energia positiva que podia caber naquele pequeno espaço.
Não sei precisar quantas pessoas estavam ali. Cinco, dez, talvez umas vinte ou trinta. Pareciam mil!!!. Junto aos primeiros batuques e acordes, surgiam os primeiros aplausos e as vozes se multiplicavam e, entre cantigas e poesias, a madrugava chegava, os casais surgiam e desapareciam. De repente o silêncio chegou trazendo os primeiros raios de sol. Acordei atordoado. Pessoas dormindo espalhadas no chão, abraçadas e sorridentes. Havia acontecido a tão esperada estréia. O dia em que fomos graduados como bacharéis em felicidade. Muito louco, muito lindo!!
A volta pra casa foi um tormento. Um misto de alegria, ressaca e o medo de que tudo aquilo se dissipasse logo que aportássemos em Salvador. Durante a primeira semana após a viagem, éramos que nem zumbis. Não conseguíamos pensar nem falar n’outra coisa. Até que os tão buscados convites para apresentações começaram a aparecer. Aniversários, batizados de bonecas, bodas de diamante.... Daí para as primeiras festas universitárias foi um passo. Nelas encontramos o nosso público mais fiel: nossos amigos. Os shows, feitos à base do improviso, iam conquistando cada vez mais gente, cada vez mais cúmplices.

3. O batizado do bando
Até então éramos apenas um grupo de marmanjos ferrados e barulhentos. Não existia uma alcunha para nos designar como banda de verdade, apenas um singelo 'apelido': Pietro Leal e as Más Influências. Bem, não sei porquê, mas alguma coisa nos dizia que aquilo não ia funcionar. Numa manhã de segunda-feira, estava eu no trampo, esparramado em frente a um computador, quando ouvi uma voz dizendo: "Fala, Pirigulino!!"
Olhei pra trás e ele riu. Era Irlan, colega de trabalho na agência. Dei risada e pedi que repetisse o que tinha falado. Ele repetiu com um complemento: "Pirigulino Babilake, o cara do farol." Há muito tempo não ouvia algo com uma sonoridade tão expressiva e engraçada. Perguntei de onde ele tinha tirado aquela expressão. Me mostrou uma coletânea de Rock'n Roll baiano onde tinha uma musica com esse nome. Antes de saber mais a fundo sobre a etimologia do vocábulo em questão (olha que bonito isso), já havia me convencido de que outro nome não poderia nos designar melhor. Já me sentia integrante da Pirigulino Babilake. Quase como uma seita.
Encontrei o povo todo reunido num boteco, perto da faculdade. Chamei os outros sacanas: Ronie, Gugu e Guto. Enchemos os copos de cerveja e eu disse: "Pirigulino Babilake, esse é o nome!!!". Como não podia deixar de ser, ouvi num tom quase que uníssono: "Piri o que?!?!" Lá fui eu explicar tudo pra eles. Antes que em concluísse, já haviam concordado e se arriscavam em gritos como: "É Piriluguino!!!", "Da-lhe, Piguirulino". Tudo bem...tinha esperanças de que logo, logo eles iriam aprender.
Já batizados, fomos convidados a fazer apresentações em encontros estudantis, o que nos deu oportunidade de viajar para lugares fantásticos como Maceió (AL) e Palmas (TO) onde tivemos uma recepção extremamente calorosa.
Alguns meses após a viagem, fizemos o nosso lançamento oficial com um luau na Praia do Flamengo, em Salvador. Arriscamos a pretensão de chamá-lo de 'Luau Pirigulino Babilake'. Muito justo!. Fizemos tudo com as próprias mãos e com as mãos de alguns amigos. Desde ingressos, cartazes, divulgaçãoaté a própria construção do palco, cercas e decoração, foi tudo com nosso suor. No fim, foi um sucesso!


4. Organizando o bába
Era um ótimo time, mas precisávamos de reforços. Acrescentamos à nossa “mini-orquestra” o contra-baixo com a chegada de Menduin, figura multifacetada, multifuncional e multidisciplinar. Capaz de tocar qualquer um dos instrumentos da banda. Meses depois, a fim de se dedicar mais a sua faculdade, família e a carreira profissional, Ronie deixa a banda e o nosso coringa Menduin assume a bateria. Logo tinhamos o nome pra assumir o contra-baixo. Vinicius, amigo de muitos anos, grande músico, experiente e mais que isso, irmão de Guto. Quando pensávamos que a equipe estava formada, conheci Davi. Era uma sexta-feira, véspera de show. Ele me disse que tocava guitarra e acreditei (rs). No dia seguinte ele estreou e até hoje eu acredito nele.
5. O primeiro filho
São quatro anos de contos e cantos. As ‘pirigulinagens’ não páram. Ainda esse ano, estaremos lançando nosso primeiro álbum, completamente autoral. Terá aproximadamente 16 faixas entre músicas e poesias. Tudo dentro do mesmo clima do início da história. Muita musicalidade e amizade misturados num mesmo pote.


Por Pietro Leal
 
 
 
 
 

Fotos do Vila Velha

Se divirta ao som da Pirigulino!

CD Promocional - Rosa Fubá